Texto de Enock Sacramento sobre Claudio Castelo


(Apresentação feita no livro 10 Artistas do Brasil de Enock Sacramento e Luiz Caribé, patrocinado pelo BNP – Paribas)

 

Claudio Castelo

 

 Claudio Castelo traz para a superfície plana da tela o universo montanhoso
das relações sociais e interpessoais. Ele divide seu tempo entre o ateliê de
pintura, o consultório psicanalítico e as salas de aula da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, da qual é Analista Didata, e do Setor de Saúde Mental da Pediatria da Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, onde é Professor Convidado. .

 

Todas estas atividades têm como centro o comportamento humano, o
procedimento de uma pessoa em função de necessidades e sentimentos íntimos,
como reação a estímulos sociais ou em resposta a uma combinação de ambos.
Se, no consultório ou na cadeira de quem ensina, Cláudio Castelo  analisa 
fenômenos cientificamente, mediante  conhecimentos formulados com método e
racionalidade, adquiridos pela observação, pesquisa e identificação, no
ateliê sua abordagem é predominantemente  intuitiva. Diante da tela ele
trabalha com o conhecimento direto, claro e imediato,  percebendo,
discernindo ou pressentindo coisas, sem o concurso do raciocínio ou da
análise. Ainda assim, suas telas oferece à nossa observação e reflexão 
patterns de comportamento, situações recriadas,  vistas através do manto
diáfano da arte, mas que remetem tanto a uma dimensão metafísica como à
realidade concreta das relações humanas.
Claudio Castelo fez sua iniciação no terreno artístico muito cedo, com
apenas 12 anos. Estudou durante três anos na Escola de Artes Plásticas de
Yeda G. de  Carvalho, em São Paulo, freqüentando em seguida  as sessões de
modelo vivo orientadas por Gregório Gruber,  na Pinacoteca do Estado, e, na
seqüência,  as de Walter Lewy na Escola Documenta. Ingressou no curso de
Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São
Paulo, transferindo-se a seguir para o de Cinema. Esses estudos, todavia,
foram interrompidos por uma viagem de um ano à Europa, onde  desenvolveu seu
senso de percepção e análise das pessoas e coisas em contato com uma cultura
sólida e sedimentada. De volta ao Brasil, sentiu-se atraído pelo conhecimento do comportamento humano. Abandonou a ECA e formou-se em psicologia pela USP. Depois, fez a formação de psicanalista na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Fez carreira rápida nesse domínio. Logo tornou-se professor e Analista Didata do Instituto de Psicanálise da SBPSP , do Curso de Especialização em Psicologia da Infância do Setor de  Saúde Mental do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina e do Curso de
Pós Graduação Lato Sensu do  Centro de Psicanálise da Universidade são
Marcos, em São Paulo. Publicou trabalhos científicos, fez mestrado em
Psicologia Clínica na PUC de São Paulo e doutorado em Psicologia Social na
Universidade de São Paulo. Claudio Castelo é autor do livro “O Processo Criativo: Transformação e Ruptura”, editado pela Casa do Psicólogo, São Paulo, em 2004.
Mas todas essas atividades não afastaram Claudio Castelo do trabalho de
ateliê, onde ele transfigura realidades e cria um mundo novo não apenas com
a matéria de seu conhecimento psicológico, mas sobretudo com a matéria dos
sonhos de que nos fala Shakespeare. Apesar do  distanciamento da realidade,
suas pinturas remetem a situações comportamentais, flagram um momento e
insinuam um enredo, uma história pessoal. Esta procura de significado e de
sentido acabou levando Claudio Castelo a fazer ilustrações para jornais e
revista entre as quais Vogue, Elle, Vip-Exame e Playboy,  para livros e
campanhas publicitárias.

 

Desde o início dos anos 1980, quando ele começou a expor sua obra, até o presente, participou de dezenas de exposições coletivas (uma delas foi a inauguração da Off-Gallery Jill Ewert de Karlsruhe, Alemanha, com outros dois artistas europeus) e realizou doze mostras individuais nos seguintes espaços: Galeria de  Arte da Aliança Francesa (82), Espaço  Cultural Off  (84), Espaço Cultural do Clube
Pinheiros (97), Espaço Cultural do Banco Central do Brasil (97), Galeria de 
Arte da Hebraica (98), SESC Galeria (99), Restaurante Kabuki (2000),
Biblioteca Alceu amoroso Lima (2000), todas em são Paulo; Galeria Arte&Fato,
Porto alegre (2000), “Queens and Music Lovers”, Wigmore Hall, Londres,
Inglaterra (2001), Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (2002) e
no Espaço Les Terrasses, na sede do BNP-Paribas de São Paulo, que justificou
sua inclusão nesse livro. Tem obras em importantes coleções de arte no Brasil, Estados Unidos, Inglaterra, França e outros países.

 

 Enock Sacramento, fevereiro de 2006.

 



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